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Onde o protesto vai dar

blog22ASe o Brasil quer saber aonde vai dar o acirramento da divisão estabelecida de maneira mais aguda desde junho, entre esquerda e direita, coxinhas e ninjas, manifestantes e acomodados, Lulas e tucanos, deve olhar para o Chile – único país da região onde essas diferenças se apresentam fossilizadas desde o governo Allende (1970-1973), sem atenuantes.

A fase crônica de protestos que os brasileiros experimentam há três meses, já dura quase três anos em Santiago. Marchas multitudinárias, choques com polícia, prisões em massa, agressões a jornalistas, destruição de bens públicos, debate sobre o uso de lacrimogêneo e balas de borracha, redução de taxas públicas e mais uma batelada de temas semelhantes estão não apenas nas ruas, mas nas pichações visíveis em todos os muros do Centro da capital, nos noticiários da noite e, como não poderia deixar de ser, nas redes sociais. A agenda dos protestos se tornou onipresente.

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O que é que a baiana tem?

blog23AA imagem fala por si. Aqui no Chile, a tropa de choque usa esse tipo de capacete. Em São Paulo, não. Aqui no Chile, o policial da tropa de choque não consegue tirar a identificação que o Estado lhe obriga a usar. Em São Paulo, consegue. Como um Suplicy da Renda Mínima, tenho repetido como um papagaio essa história no Brasil. Cobri manifestações nos dois países, corri de polícia, fui ameaçado, nunca apanhei ou fui preso, mas não preciso disso para ter empatia pelos que sofreram assim. O mínimo que estou obrigado a fazer, como jornalista, é dizer isso: as coisas não têm de ser assim.  Há outras formas de garantir responsabilização dos que cometem excessos. Por que no Brasil não pode ser assim? Temos de mudar a cabeça. Ou o capacete, pelo menos.

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Snowden para todos

BLOG24aQuem vê o cramulhão metido nas ações de espionagem dos EUA deveria conhecer um pouco mais do Brasil. Na semana passada, 400 criancinhas da rede pública fizeram isso. Visitaram o Ccomgex (Centro de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército) em Brasília. No início do ano, o governo alardeava o investimento de R$ 400 milhões para animar o setor, responsável por embaralhar o ambiente virtual dos ‘inimigos’ da Pátria.

No mundo normal, governos espionam, funcionários vazam, imprensa noticia, jovens protestam e diplomatas ‘manifestam preocupação’. É assim desde antes do telex. A diferença é que, hoje, a moçada volta para casa para postar comentários sobre novas crises da moda.

Quem já usou a Lei de Acesso à Informação para solicitar dados sensíveis sabe como funciona a zona cinzenta da privacidade. O solicitante pergunta para A e ouve de B uma resposta que cita até a cor da cueca do requerente.

Não inventaram no mundo sistema mais sigiloso que o cochicho – voz no pé do ouvido e mão em conchinha.

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Pega no Pino8

Causa frisson na mão de certo sub-ramo da humanidade manusear o exemplar da foto. Trata-se de um dos 55 mil que compõem a biblioteca de Pinochet, um dos maiores acervos privados ao sul do Equador.

Quando não estava ocupado na carniceria do subsolo, o general era dado a subtrair propriedade pública – passava cheques da Presidência para amealhar pílulas de sabedoria como esse “Comentário Sociológico”. Hoje, por poucos pesos, o leitor compra num sebo de Santiago o livro que pertenceu ao general responsável por 28 mil casos de tortura e 3 mil mortes em 17 anos de um governo cujos logros econômicos ainda fazem muito economista moderno melar a cueca de seda. Continuar lendo

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Evo viu o voo

blog25AClóvis Rossi fez a bondade de me citar em sua coluna na Folha de S. Paulo de hoje. Generoso. Eu não fiz mais que transcrever os trechos da Convenção de Viena Sobre Relações Diplomáticas de 1961 que evidenciam o grotesco cometido contra o passageiro ilustre, Evo Morales – Espanha, França, Itália e cia. violaram uma norma básica do direito internacional. Quando se trata de pôr banca em cima da Bolívia, é fácil.

Colo o trecho da Convenção: “Os locais da Missão, mobiliário e demais bens neles situados, assim como os meios de transporte da Missão, não poderão ser objeto de busca, requisição, embargo ou medida de execução”.  Continuar lendo

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