Defesa

Suíços escolhem caças

blog10AA população da Suíça vai às urnas 18 de maio para decidir se o país gastará ou não o equivalente a R$ 8 bilhões para trocar seus 54 aviões de combate F-5 Tiger por 22 caças Gripen, de fabricação sueca. O negócio é semelhante ao que o Brasil fez recentemente, adquirindo 36 Gripen por mais de R$ 10 bilhões. O que chama atenção é a forma absolutamente transparente e participativa como a Suíça lida com um tema que, por aqui, é considerado quase um segredo de Estado.

Além de escolher os caças da força aérea, os suíços votarão, no mesmo plebiscito, sobre o valor do salário mínimo, sobre a proibição de pedófilos exercerem funções que envolvam contato com crianças e sobre os chamados “médicos da família”. Continuar lendo

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Humanitário

O Brasil não quer saber do Haiti

blog9AO Brasil queria saber de um assento no Conselho de Segurança da ONU. Por isso enviou tropas para o Haiti em 2004. Se o País quisesse saber dos haitianos, cuidaria melhor dos mais de 2 mil deles, que se espremem hoje dentro de um galpão projetado originalmente para abrigar 300 pessoas na cidadezinha acreana de Brasileia, na fronteira com a Bolívia. Com apenas 20 mil habitantes, Brasileia é a capital do Haiti no exterior. Continuar lendo

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Diplomacia

Conheça o novo chanceler do Chile

blog11AMichelle Bachelet tomou posse há menos de uma semana no Chile e prepara vinda ao Brasil até abril. Está de volta para um segundo mandato – o primeiro foi de 2006 a 2010. Com ela, regressa uma espécie de socialismo de centro, socialismo possível, no único país latino-americano onde estas divisões mantêm seu sentido original.
Na cerimônia de posse, a direita do ex-presidente Sebastián Piñera passou o cetro com o gosto amargo de um mandato que começou com um terremoto e terminou nas ruínas de uma taxa de rejeição histórica – rondando muitas vezes os 80%. Quando entrevistei Bachelet para o jornal O Estado de S. Paulo, em julho de 2009, ela já profetizava, num tom suave e astuto: “Para mim, quatro anos (de mandato) é pouco”. Cá está, de volta, numa região que – fora a morte de Hugo Chávez – pouco mudou em quatro anos.

Uma das figuras fortes do novo governo será o chanceler Heraldo Muñoz. A Folha de S. Paulo trouxe em sua edição de 12 de março um breve perfil que escrevi sobre o novo ministro, a partir de uma longa entrevista feita por email, enquanto ele ainda preparava as malas para voltar de Washington, onde trabalhava havia anos na ONU, para Santiago, onde assume o cargo agora, com o novo governo.  Continuar lendo

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Quase Humor

‘O que ela tem que eu não tenho?’

blog12A‘O que que ela tem que eu não tenho?’, deve ter se perguntado a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, hoje, na cerimônia de posse da colega chilena Michelle Bachelet, em Valparaiso. Bachelet terminou seu primeiro mandato com um nível de aprovação igual ao de Lula, coisa com a qual Dilma não ousa sonhar. Enquanto a médica chilena é uma tiazona carinhosa e acolhedora, Dilma desfila durante 24 horas com a delicadeza de uma motorista de empilhadeira com o câmbio travado na primeira marcha.

Olhando para trás, Bachelet tinha tudo e mais um pouco para amarrar a cara como Dilma. Se a brasileira foi torturada, a chilena também foi – mais do que isso, Bachelet foi torturada junto da mãe na Villa Grimaldi, um dos campos de tortura e morte mais horrorosos de que se tem notícia no mundo. Além disso, perdeu o pai, morto pela ditadura do general Augusto Pinochet. No campeonato do rancor, a chilena levaria larga vantagem. A diferença entre as duas não está no passado, mas no futuro. Continuar lendo

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Diplomacia

O poder da discrição

blog15ANão parece, mas o Chile é uma ilha. Espremido entre a Cordilheira e o Pacífico, o país desenvolveu uma personalidade insular e introspectiva, reforçada pelo traço sombrio de uma ditadura que durou 17 anos. Tensionado até hoje por disputas limítrofes ao norte, com o Peru e a Bolívia, e, até 1978, ao sul, com a Argentina, o país foi desenvolvendo uma ideia acanhada de suas relações internacionais. Essa tendência deu à chancelaria chilena uma gradação a mais no quesito “discrição”.

Quis o destino que coubesse justamente esta ilha cravada no continente desatar o nó cego em que se meteu a Venezuela. Depois de tomar posse, amanhã, para seu segundo mandato, o governo de Michelle Bachelet receberá em Santiago os chanceleres dos Estados membros da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) para tentar achar uma saída para o imbróglio enfrentado pelo governo de Nicolás Maduro, depois de mais de 20 mortes e uma forte onda de protestos que mantém o futuro da Venezuela mais uma vez sob tenso suspense.

A novela também coloca em lados diferentes – embora não necessariamente antagônicos em suas relações pessoais – duas figuras fortes da política internacional chilena. O primeiro é o secretário geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza. O segundo é o novo chanceler do Chile, Heraldo Muñoz, anfitrião do encontro da Unasul. Não poderia haver duas figuras em momentos tão desencontrados. Continuar lendo

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Diplomacia

Venezuela reforça duelo OEA x Unasul

blog16AA Venezuela não quer nem saber da OEA (Organização dos Estados Americanos). Se tiver de discutir regionalmente seus problemas, o governo de Nicolás Maduro disse que prefere a Unasul (União das Nações Sul-Americanas). São dois clubes diferentes para discutir as mais de 20 mortes ocorridas nos protestos dos últimos dias em Caracas e alhures. No primeiro clube, usam terno, no segundo guayabera. Maduro considera que, nos corredores OEA, se fuma Marlboro, na Unasul, puros de Habana.

O clima de Fla-Flu entre Unasul e OEA vem desde 2008. Na época, o bolivarianismo vivia seus anos de ouro, puxados por Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e Nestor Kirchner (Argentina). Lula (Brasil), corria então por fora, fazendo as vezes de “primeiro volante”. O time foi responsável por deslocar o eixo regional de Washington, sede da OEA, para Quito, que receberia a recém-nascida Unasul. A guinada se valeu do ressentimento com o papel devastador que os EUA exerceram em toda a América Latina durante os golpes militares dos anos 60-70 e da conjuntura de forças, que então permitia a retórica inflamada e a diplomacia presidencial, ou diplomacia do microfone. Continuar lendo

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Diplomacia

Crimeia. Capital: Malvinas

blog17O mundo é uma bola com 191 países, sem contar Taiwan e o Vaticano. Pouco do que aconteça onde o sol se põe, já não aconteceu antes, onde o sol nasceu. É o caso da Crimeia, onde a população, de maioria russa, pretende fazer um referendo dentro de nove dias para decidir se a península se separa da Ucrânia e volta a fazer parte da Rússia, remontando, em parte, o mapa anterior a 1954. Como, de cada 10 moradores da península, 6 são russos, a vitória é batata.

Guardadas as diferenças, a lógica crimelense repete o que acontece com os moradores das Ilhas Malvinas ou Falklands, no Atlântico Sul. Não há meio de convencer os moradores a pertencerem a Argentina. Em março do ano passado, 98,8% dos 1.672 eleitores locais disseram “sim” ao domínio britânico, num referendo que confirmou o que Londres já havia dito de forma mais clara com força militar em 1982. O conflito não apenas confirmou a hegemonia britânica no local, mas também antecipou o fim da ditadura na Argentina. Para todos os efeitos, as ilhas distam pouco mais de 400 km de Buenos Aires, mas fazem parte da Grã-Bretanha, a quase 20 horas de voo dali. Continuar lendo

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