Diplomacia

Venezuela reforça duelo OEA x Unasul

blog16AA Venezuela não quer nem saber da OEA (Organização dos Estados Americanos). Se tiver de discutir regionalmente seus problemas, o governo de Nicolás Maduro disse que prefere a Unasul (União das Nações Sul-Americanas). São dois clubes diferentes para discutir as mais de 20 mortes ocorridas nos protestos dos últimos dias em Caracas e alhures. No primeiro clube, usam terno, no segundo guayabera. Maduro considera que, nos corredores OEA, se fuma Marlboro, na Unasul, puros de Habana.

O clima de Fla-Flu entre Unasul e OEA vem desde 2008. Na época, o bolivarianismo vivia seus anos de ouro, puxados por Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e Nestor Kirchner (Argentina). Lula (Brasil), corria então por fora, fazendo as vezes de “primeiro volante”. O time foi responsável por deslocar o eixo regional de Washington, sede da OEA, para Quito, que receberia a recém-nascida Unasul. A guinada se valeu do ressentimento com o papel devastador que os EUA exerceram em toda a América Latina durante os golpes militares dos anos 60-70 e da conjuntura de forças, que então permitia a retórica inflamada e a diplomacia presidencial, ou diplomacia do microfone.

“Um organismo só crescerá na região se o outro diminuir. Há um processo acentuado de descrédito da OEA e, com isso, a Unasul tentará cada vez mais atrair estes conflitos para sua esfera da influência”, me disse Andrés Mejía, analista do Instituto de Ciência Política de Bogotá, em agosto de 2010, quando a Unasul enfrentava seu primeiro teste de fogo.

Naqueles dias, Venezuela, Equador e Colômbia quase entraram em guerra. Tendo as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) como pivô, os três países se engalfinharam por um ataque aéreo realizado por militares colombianos em solo equatoriano, com apoio de inteligência dos EUA. Um imbróglio que pôs à prova a Unasul, dando início ao longo e interminável processo de desprestígio da OEA.

Desde então, a cada espasmo institucional na região, os governos mais à esquerda correm para a Unasul, afastando para uma esfera cada vez mais distante a desprestigiada OEA. Esse cabo de guerra é claro para qualquer observador, menos para o secretário-geral da OEA, o chileno José Miguel Insulza. Quatro anos atrás, no auge da formação da Unasul, conversei com Insulza. Prevendo o que estava por vir, ele disse que “há grupos e cúpulas demais no continente” e fez uma analogia marota: “imagine se a criação de cada novo grupo fosse vista como uma ameaça às Nações Unidas.”

Hoje está claro que Insulza tapava o sol com a peneira e pode ser atropelado pelos fatos. A OEA é centenária e a Unasul ainda é um bebê de fraldas. Mas o tamanho de cada um desses clubes não será dado por declarações abstratas, e sim por ações que se desenrolem em fatos tão concretos quanto a crise de agora na Venezuela.

Veja esta análise também no Brasil Post.

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