História

Os militares estão certos

blog7Quem vê em qualquer farda uma ameaça à democracia, deve dar uma espiadela no que acontece em Portugal. Lá, os ‘Capitães d’Abril’ andam às turras com o governo pelo direito de usar a palavra no plenário da Assembleia da República. Dentro de 15 dias, os portugueses celebrarão os 40 anos da Revolução dos Cravos, de 25 de abril de 1974. Puxada pelos capitães do Exército, a intentona pôs fim a 41 anos de ditadura salazarista, dando início ao processo de descolonização tardia da África lusófona e inspirando milhares de latino-americanos que se achavam desesperançados e imersos na escuridão de suas própria ditaduras, do lado de cá do Atlântico. Enquanto capitães e homens de outros estamentos massacravam a democracia no Brasil, os irmão de armas portugueses assumiam a vanguarda da revolução democrática em Grândola, Lisboa e alhures. Tudo isso sem derramar uma só gota de sangue.

Quarenta anos depois, caberá hoje ao PSD (Partido Social Democrata) do presidente Aníbal Cavaco, de centro-direita, ciceronear, como governo de turno, as comemorações pelos 40 anos da Revolução.  A presidente da Assembleia, Assunção Esteves, colega de Cavaco no partido, disse que não dará a palavra aos Capitães de Abril no plenário.

Quem acha que o Brasil vive uma onda revisionista pelos 50 anos de ditadura não viu nada.

Na segunda-feira, três ex-presidentes portugueses toparam participar de um debate que questiona se valeu ou não a pena a Revolução dos Cravos e a queda de Salazar. Antônio Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio discorrerão sobre suas teses num evento promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Do lado contrário, o Partido Comunista Português lançou uma série de debates nacionais  para reafirmar “os valores de Abril no futuro de Portugal”. Diz o PC que é hora de “travar uma batalha pela verdade histórica quanto ao seu significado, batalha tanto mais importante quanto aqueles que são responsáveis pela situação a que o País chegou, estão a negar e vão negando com mentira e falsificação o que Abril significou, e quando é sabido que uma grande parte da população nasceu já depois da Revolução. Vão tentando rescrever a história, branqueando o seu próprio papel, distorcendo o significado da Revolução”.

Reinterpretar o passado à luz do presente não é exclusividade brasileira. O momento português mostra que crises econômicas ou políticas invocam inevitavelmente os arquétipos do passado. A diferença é que, nesse caso, os milicos estavam certos. Pelo menos, em Portugal.

Assista ao trailer do excelente filme lançado em 2000 pela cineasta portuguesa Maria de Medeiros sobre a Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974:

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