Humanitário

As balsas com negros aportam no Brasil

Captura de Tela 2015-04-26 às 10.54.31Quem quiser se sentir na Europa sem sair de casa pode dar um pulinho na Baixada do Glicério, em São Paulo. É lá que aportam nossos imigrantes negros, iguaizinhos aos que naufragam no Mediterrâneo tentando alcançar a costa da Espanha e da Itália. Além de partilhar fotos de africanos no Facebook, o visitante poderá eventualmente se inteirar do que acontece em seu próprio país e, de quebra, fazer algo útil, demonstrando alguma solidariedade real pelos haitianos que se apinham por ali.

O Brasil disfarça bem, mas tem uma política migratória restritiva. A principal vitrine da solidariedade brasileira, o tal visto humanitário, é insuficiente e funciona pior que a fila do SUS. Uma excelente reportagem publicada na Folha de domingo (26/4) pela Olívia Freitas mostra que o Itamaraty, a despeito do termo ‘humanitário’ que imprime à sua iniciativa, restringe a 650 o número de permissões mensais para ingressos de haitianos no Brasil. Desde o início da coisa, foram dados uns 15 mil vistos, número inferior ao de torcedores que caberão na Vila Belmiro para ver a final do Campeonato Paulista deste ano. Taí o tamanho do que os hidrófobos, inclusive os do governo, chamam de invasão.

“No consulado (do Brasil em Porto Príncipe), não tem nada informatizado, é mais ou menos tudo na mão e no olho. É difícil”, revela o cônsul brasileiro Vitor Itagaray. “Eu não aguento mais, ninguém aguenta mais. Se o Itamaraty não manda dinheiro pra cá é porque não tem. Quando você não pode fazer uma coisa, então não faz.” Nem o mais ferrenho crítico da política migratória nacional descreveria a cena com maior rigor. A fala de Itagaray dá conta da real importância que o Brasil tem dado ao tema.

Quando visitei o campo de haitianos em Brasileia, no Acre, 90% das pessoas tinham diarreia. O esgoto vazava a céu aberto perto do refeitório e as pessoas dormiam umas sobre as outras num galpão superlotado, tudo muito parecido ao que eu vi no Haiti depois do terremoto.

Pelo menos no descaso com os imigrantes, o Brasil chega pertinho do Primeiro Mundo.

*A Missão Paz, que recebe haitianos em São Paulo precisa de produtos de limpeza e doações em dinheiro. Clique aqui para saber como ajudar.

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