Diplomacia

Rejeição a Patriota esconde história feia

Guilherme-PatriotaO embaixador Guilherme Patriota tomou bomba no Senado. Indicado por Dilma para representar o Brasil na OEA, foi rejeitado por um voto de diferença – 38 senadores barraram a indicação, abrindo as comportas das análises manjadas sobre o desgaste da presidente no Congresso. Pode ter sido a primeira vez que isso acontece na história do Brasil, mas tirando o fato de que rende bons títulos, a questão é mais de forma do que de fundo. Dilma sacaneou a OEA por muito tempo. Durante quatro anos, deixou o Brasil sem representante nenhum na organização, até acordar e tentar emplacar ontem seu embaixador. Nesse período, o País acumulou uma dívida com o órgão de mais de R$ 20 milhões – o que equivale a quase 10% do orçamento total da OEA. Golpe baixo.

Agora, com a derrota imposta pelos senadores, o governo busca dar um sentindo de importância e de urgência algo a algo antes desprezado. O gelo de Dilma na OEA foi uma jogada de várzea. Contrariada com uma decisão crítica à construção da usina de Belo Monte, o Brasil fez uso de um procedimento falcônico para chantagear a organização. Cortou a grana e tirou o embaixador – chiliques diplomáticos que têm seu significado.

Na sabatina de Patriota, uma semana atrás, persistia o corpo mole. Questionado sobre o calote, o embaixador disse que faria “o que puder” para retomar o fluxo normal da grana e lembrou que esse não é “um fenômeno exclusivo da OEA”, resposta que equivale a lavar um carro sujo com aguinha da poça de lama.

A OEA foi por muito tempo saco de pancada dos bolivarianos. Derrapou em várias crises recentes e teve um presidente que parecia remar num pote de doce de leite (expressão que ouvi ontem de um amigo argentino). Flertou com a irrelevância e viu o surgimento da Unasul ameaçar sua existência. Mas a história do órgão é pra lá de importante, considerando especialmente a Corte Interamericana de Direitos Humanos e a Comissão, que fazem parte do combo.

Segue o jogo. Dilma indicará um substituo, que será em breve esquecido num cargo pelo qual a opinião pública nutre zero interesse. Fica a cicatriz no Planalto e a impressão de que, mesmo quando não entende nada de política externa, o Senado pode, involuntariamente, mandar um recado correto. Sinais trocados também comunicam.

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