Nacional

Perguntei ao Kim quem ele pensa que é

Kim Brasil Livre

Foto: Felipe Paiva/R.U.A. Foto Coletivo

“O impeachment não é uma panaceia”, advertiu de maneira inesperada Kim Kataguiri numa conversa que tive com ele em São Paulo no mês de abril. O jovem de apenas 19 anos é um dos principais rostos da nova direita. À frente do MBL (Movimento Brasil Livre), Kim tem levado, junto com outros movimentos, milhares de manifestantes às ruas numa onda que roubou o monopólio exercido pela esquerda sobre as grandes mobilizações populares desde o fim da ditadura.

Politicamente, Kim é um liberal espontâneo e voluntarioso, quase ingênuo. Dado o desconto à pouca experiência, é forçoso reconhecer que se perfila como um nome promissor de sua geração. Está engajado em fazer política, coisa que o movimento estudantil abandonou faz tempo.

“Votei no Aécio à contragosto porque o Aécio é um socialdemocrata, é um cara que não privatizaria a Petrobras, não acabaria com a CLT, diminuiria ministérios mas não tanto quanto a gente gostaria, não diminuiria tanto os cargos comissionados, por exemplo, mas ele era a opção que nós tínhamos ao PT”, disse para deixar claro que não gosta de ninguém hoje em Brasília. “No Brasil não temos nenhum partido político liberal”, lamenta. Perguntado sobre um modelo de político, cita o republicano Rand Paul, dos EUA.

Abaixo, os principais trechos da conversa:

Você está aqui pedindo o impeachment da Dilma Rouseff. Se isso ocorrer, não te preocupa que alguém como o Michel Temer (PMDB) assuma a Presidência? Ou você acha que deveria ser chamada nova eleição? Enfim, o que vem depois desse pedido de impeachment que vocês estão promovendo?

Kim Kataguiri – O impeachment é um passo à frente, não é uma panaceia, não resolve o problema da corrupção, da saúde, da educação, mas é um passo à frente porque nós consideramos o Partido dos Trabalhadores uma ameaça à República. Por duas vezes eles já tentaram passar por cima da tripartição de Poderes. A primeira no Mensalão, quando usaram dinheiro público para comprar parlamentares. A segunda no Petrolão, quando usaram dinheiro da Petrobras pra passar por cima do Legislativo e propuseram essa regulação econômica da mídia. Num país em que se paga quase 40% de impostos, regular economicamente a mídia é censurar a mídia, controlar mesmo. Então, nós consideramos que seja uma proteção à República em si (derrubar a presidente). O PMDB não nos representa. Não considero que o PMDB seja corrupto, mas ineficiente. Nós defendemos o liberalismo econômico, a redução do Estado, dos ministérios, de impostos, fim da burocracia, privatização de estatais e fim da CLT. Isso não é algo que o PMDB represente. Mas (o impeachment) não deixa de ser um passo à frente.

Depois de uma eventual saída da Dilma, você continuaria mobilizado por uma nova eleição ou a ação do seu movimento pararia aí, com a chegada do Temer ao poder?

Faríamos pressão pra que houvesse investigação tanto do Temer quanto do Eduardo Cunha (presidente da Câmara) e do Renan Calheiros (presidente do Senado) e de todo o PMDB para que essas investigações tragam motivos suficientes para o impeachment. Agora, se não houver motivos suficientes, continuaremos dando motivos suficientes, continuaremos defendendo o liberalismo e condenando a corrupção.

Você votou no Aécio Neves (PSDB) para presidente?

Eu votei no Aécio à contragosto porque o Aécio é um socialdemocrata, é um cara que não privatizaria a Petrobras, não acabaria com a CLT, diminuiria ministérios mas não tanto quanto a gente gostaria, não diminuiria tanto os cargos comissionados, por exemplo, mas ele era a opção que nós tínhamos ao PT.

Quem é o modelo de político pra você hoje? Quem chega mais perto do seu ideal?

O Rand Paul dos EUA, que agora é candidato a candidato ao cargo de presidente dos Estados Unidos pelo Partido Republicano. Ele defende a maioria das nossas bandeiras. É um cara que, inclusive, deixa o Movimento Brasil Livre bastante feliz de ver um cara como esse (sic) com chance de ser presidente dos EUA, então eu acho que ele é quem mais representa hoje o nosso pensamento liberal.

Mas aqui no Brasil não tem ninguém?

No Brasil a gente tem o Marcel Van Hattem (PP), deputado estadual no Rio Grande do Sul, que eu acredito que seja uma exceção. Mas é muito difícil citar, até porque no Brasil não temos nenhum partido político liberal.

Você pensa em se candidatar?

(Tosse) Por enquanto, não. Campanha é algo que demanda dinheiro, tempo, trabalho. Eu não tenho tempo e não tenho dinheiro pra isso, mesmo porque o Movimento Brasil Livre não dá lucro, dá prejuízo. Não faz muito sentido pensar no próprio processo democrático agora, se o próprio debate político está em risco.

Não te preocupa participar de um protesto onde há pessoas pedindo golpe?

É preocupante que haja grupos pregando coisas fora do campo republicano. A gente repudia frontalmente. Não queremos ter nenhum tipo de ditadura aqui, não queremos nenhum tipo de golpe. Essa linha de intervenção militar constitucional é balela. A única intervenção militar prevista na Constituição é a convocada pela própria chefe da Forças Armadas, que é a Dilma Rousseff. Então, o que eles estão pedindo não existe. Estamos tranquilos de que isso não vai acontecer, de tão mirabolante. Mas também é algo que atrapalha. O protesto acaba atraindo pessoas que não atuam dentro do campo republicano.

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Um comentário sobre “Perguntei ao Kim quem ele pensa que é

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