Nacional

7×1 completa um ano. (E os protestos?)

golUm ano atrás, o Brasil levava uma pedrada de 7×1 dos alemães no Mineirão e encerrava de maneira trágica sua participação na Copa. O vexame da Selecinha só não foi pior que o da política. A meninada que queimava concessionárias em junho saiu para um sabático na casa de praia ou entrou num intercâmbio no Canadá, deixando de herança, meio sem querer, a maior onda conservadora em 50 anos de história do Brasil. “Mal aê”. Passada a temporada dos maracatus de rua, os profissionais assumiram o bufê com maior garbo: fizeram a reforma política do avesso, implodiram o PT com o Lula dentro e deram a Dilma Rousseff o mais longo fim de governo da história republicana. Sobre tudo isso, nem um “piu”. O que importava mesmo era a Copa (que, no fim, até que foi bacaninha). Quem achou que o movimento era pra valer, dançou. A PM não se desmilitarizou. Ui, que surpresa. Continuar lendo

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O que diz o direito

Dois atropelos podem destruir a Lava Jato

odebrechtGanha corpo entre os entendidos o temor de que a Lava Jato morra antes de virar borboleta. No afã de fazer justiça, o juiz Sérgio Moro estaria contaminando as investigações com uma dose excessiva de voluntarismo, ansiedade e arrogância, capaz de anular o caso. Não seria a primeira vez que uma investigação de enorme repercussão midiática dá em nada no Brasil.

Ao noticiar as prisões do dono da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, realizadas ontem, em São Paulo, os jornais revelam sem querer o exato nódulo da coisa toda. A Folha de S. Paulo titula no alto da A5: “Juiz acusa empresas de praticar crimes para obter negócios“. Juiz não acusa. Juiz julga. Quem acusa é o Ministério Público. Continuar lendo

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Diplomacia

Catimbeiro, Aécio cava falta em Caracas

aecinhoEnquanto Aécio Neves (PSDB) e a comitiva brasileira que viajou ontem à Venezuela não apresentarem alguma evidência de agressão sofrida no trajeto entre o aeroporto e a capital, Caracas, permanecerá a sensação de que o grupo viajou 6 mil quilômetros para cavar uma falta na pequena área. As imagens disponíveis até agora mostram o micro-ônibus com parlamentares brasileiros cercado por manifestantes pró-governo. Só. Durante todo o tempo, o veículo aparece resguardado por uma escolta das forças de segurança venezuelanas. De resto, é a zorra de praxe naquelas bandas.

Se cidadãos venezuelanos não podem sair às ruas do próprio país para expressar seja qual for sua opinião a respeito do próprio governo, que democracia foram defender os políticos brasileiros no quintal do vizinho? Seria como se deputados venezuelanos viessem ao Brasil criticar o povo que bate panela. Continuar lendo

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O que diz o direito

Oh, Fuchs! Advogado de graça

SimpsonsNum surto vanguardista, a OAB derrubou no domingo a norma estúpida que há mais de dez anos proibia advogados de defenderem clientes pobres sem cobrar nada. Embora gente altruísta pratique a advocacia pro bono há mais de 100 anos no Brasil, a ordem que os representa tinha achado por bem considerar a prática ilegal, sob alegação de que se tratava de “captação de clientes”. Os visionários da OAB sugeriam num raciocínio tortuoso que o pobre ajudado por um advogado pro bono era na verdade uma vítima indefesa e desavisada de um golpista malvado. Com a decisão de domingo, cai a proibição. A partir de agora, a cobrança ou não de honorários passa a ser assunto exclusivo entre cliente e advogado, o que põe a OAB no sistema capitalista com uns 2 mil anos de atraso. A regulação constará no parágrafo 2 do Código de Ética da Advocacia reformado. Continuar lendo

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Economia

BNDES, índios e Tony Ramos

TonyO BNDES despejou na Friboi R$ 8,3 bilhões em compra de ações e R$ 2 bilhões em empréstimos diretos. O banco é dono de quase 30% daquele açougue anunciado pelo Tony Ramos na TV. Pergunta de auditório para os fãs do galã: qual foi a maior empresa em doações financeiras para campanhas políticas no Brasil em 2014? Ganha um pirulito de picanha quem chutar a Friboi, com R$ 366,8 milhões.

O BNDES é um dos maiores bancos do mundo – seus investimentos chegam a quase 20% do PIB brasileiro. O banco responde sozinho por 75% de todo o crédito de longo prazo para empresas e 20% de todos os investimentos realizados no país nos últimos anos. É uma máquina gigantesca de emprestar dinheiro público a juros amigos. Continuar lendo

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Lava Jato

Os milionários são uns pobres coitados

A Lava Jato estraçalhou meia dúzia de ricaços indecentes dando alguma sensação de justiça bem antes do fim do processo legal. No país em que rico não se ferra, pareceu, com as prisões preventivas decretadas pelo juiz Sérgio Moro, que tudo mudou – a grãfinalha desceu ao habitat dos moreninhos de havaiana. Frisson na corte. Mas o ímpeto justiceiro tem seu preço. Advogados de renome dizem que Moro viola princípios caros ao Direito. Quando a poeira baixar e a polícia voltar a bater na clientela de costume, fará falta a presunção de inocência, entre outros nomes compostos pelos quais o povo pobre nunca pode pagar.

Que as vítimas desse atropelo sejam ricos, torna ingrata a tarefa. Mas é preciso defender o que há de justo na Justiça, mesmo quando o pobre coitado não é pobre. Em outras palavras, rico é gente, ainda que soe indecente. Continuar lendo

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