Nacional

7×1 completa um ano. (E os protestos?)

golUm ano atrás, o Brasil levava uma pedrada de 7×1 dos alemães no Mineirão e encerrava de maneira trágica sua participação na Copa. O vexame da Selecinha só não foi pior que o da política. A meninada que queimava concessionárias em junho saiu para um sabático na casa de praia ou entrou num intercâmbio no Canadá, deixando de herança, meio sem querer, a maior onda conservadora em 50 anos de história do Brasil. “Mal aê”. Passada a temporada dos maracatus de rua, os profissionais assumiram o bufê com maior garbo: fizeram a reforma política do avesso, implodiram o PT com o Lula dentro e deram a Dilma Rousseff o mais longo fim de governo da história republicana. Sobre tudo isso, nem um “piu”. O que importava mesmo era a Copa (que, no fim, até que foi bacaninha). Quem achou que o movimento era pra valer, dançou. A PM não se desmilitarizou. Ui, que surpresa.

“Obrigado, obrigado!”, diz Kim Kataguiri se equilibrando na ponta dos pés, projetando uma vozinha miúda no fundo do salão. Segue o jogo. Não aprendemos nada em termos de futebol em 12 meses – o Brasil acaba de sair da Copa América derrotado pelo Paraguai, sob uma chuva de análises que preveem a necessidade de refundar o desporto nacional. Em Brasília é igual. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), diz que o presidencialismo já era, prega reforma – mais uma. O negócio é aumentar o poder do Congresso, trazendo de volta o parlamentarismo. “O Brasil não é uma republiqueta“, aclara Cunha na Folha de hoje. Tudo bem que o parlamentarismo foi rechaçado em plebiscito há 20 anos, mas ele pode voltar por meio de “uma emenda”, emenda o homem que não se emenda.

Chama o ladrão

Tá fazendo um ano que o menino Fabio Hideki conta que tomou um soco na cara e uma joelhada na barriga quando entrou algemado na sede do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), em São Paulo. “Você está fodido”, teria dito no ouvido dele o polido Wagner Giudice, que aparece volta e meia de banho tomado no SPTV, com ares de gente equilibrada, representando a Polícia Civil. O pessoal que arrancou fora o olho do fotógrafo Sérgio Silva continua de boa. Não tem essa de reformar a polícia. A polícia tá boa, dizem os políticos. Ainda em novembro, o Ministério Público Federal pensou que o Brasil era sério e resolveu promover uma audiência pública para esclarecer as agressões policiais contra manifestantes no contexto da Copa. A reunião foi legal, mas o Comando da PM de São Paulo e o secretário de Segurança Pública deram o cano. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) saiu tão bem da história toda que ainda teve crédito pra cortar a água na capital e sonhar em se eleger presidente em 2018. Como é grande o poder das ruas.

Com tanta volta vazia dando volta, a única conclusão possível é que o 7×1 ficou barato. Surpreende que o Paraguai não tenha metido 8×1 na Seleção 12 meses depois. Metade do que se dizia nas ruas então era conversa – gente falando em nome de causas mais ou menos ocultas. A montanha tremeu e, de dentro dela, saiu um pinto careca, de uma perna só. O bicho, manco, nem cisca.

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