Protestos

Preso por ler um livro

GeneO presidente angolano, José Eduardo dos Santos, há 36 anos no poder, mandou em cana 15 cidadãos cujo crime foi se opor ao seu governo. Como evidência, a Justiça diz que, ao entrar no local da reunião do grupo, havia sobre a mesa um livro chamado “Da Ditadura à Democracia“, do escritor americano Gene Sharp. Conheci Sharp em Oslo, na Noruega, há 3 três anos. A reportagem, publicada hoje na Folha por Fábio Zanini, me fez lembrar da conversa que tive com Sharp e de como ele passou 80 anos vendo gente ser presa por ler seus 20 livros livros traduzidos para mais de 30 idiomas. Continuar lendo

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Quase Humor

Acuado, Cunha apela à Porcíuncula

Acuado pela denúncia de envolvimento num escândalo milionário de pagamento de propina para favorecimento de empreiteiras no caso Lava Jato, ameaçado de deposição do cargo, acuado pelas lideranças do próprio partido e na iminência de ter seu caso avaliado pela mais alta corte do País, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dedicou a manhã de hoje a homenagear Porciúncula.

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O nome da cidade de apenas 18 mil habitantes é sinônimo de “porção minúscula”, de acordo com o Houaiss. A lembrança do pequeno município fluminense nas redes sociais do deputado é adornada por uma sequência de posts ao longo dos dias nos quais Cunha deseja “benção em abundância” aos internautas, acompanhada de fotos de horizontes montanhosos, nuvens e outros ícones da auto-ajuda.

No post em homenagem a Porcíuncula, Cunha crava o hashtag “o povo merece respeito”.

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Protestos

A rifa do 16/8 já correu

rifa9Moçada que vai no protesto do dia 16/8 carrega no bolso uma rifa que já correu. O sorteio foi na quarta-feira, no quintal do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República, Michel Temer, e a vencedora foi uma moradora de Brasília chamada Dilma, de sobrenome complicado. O convescote articulado pelo ex-presidente Lula quatro dias atrás reuniu quem realmente apita os jogos oficiais no Brasil e decretou que a marcha de domingo é palha – especialmente depois de as Organizações Globo descerem do barco do impeachment. Com Calheiros, Temer, Jucá e Sarney, Lula costurou um não-se-sabe-o-quê capaz de assentar a poeira. Continuar lendo

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Quase Humor

PT entulha propaganda na TV com chuva de numeralha

PTNa pior crise desde a sua fundação, o PT levou ao ar hoje uma peça publicitária de 10 minutos na qual 31% do tempo foi ocupado com a declamação de uma lista sequencial de 26 cifrões lidos por um narrador em off, em mantra monocórdio, enquanto na tela se sucediam mais de 20 slides apresentando números quebrados, como R$ 1,066 trilhões, e zeros depois da vírgula, como 4,0%. A sequência, que também misturou valores em dólares e em reais, ocupou ao todo 3 minutos e 6 segundos, o que equivale a quase um terço da propaganda inteira, numa média de 2,6 cifras declamadas por minuto. O bombardeiro numérico contradiz as regras mais elementares da comunicação em rádio e TV e contribuiu para aumentar a percepção de que a confusão domina o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, ameaçada por mais de 10 pedidos de impeachment analisados pelo Congresso. Continuar lendo

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Swissleaks

O que a Veja não viu no caso Romário

RomOs leitores que hoje se regozijam com o erro da revista Veja sobre as falsas contas bancárias atribuídas pela publicação da editora Abril ao senador Romário (PSB-RJ), na Suíça, onde haveria R$ 7,5 milhões não declarados pelo ex-atleta à Receita Federal, são em boa parte os mesmos que há 6 meses dedicavam o melhor do seu tempo a atacar a apuração cautelosa que o jornalista Fernando Rodrigues (UOL) fazia de um caso semelhante, o Swissleaks, que reunia mais de 8 mil contas bancárias brasileiras suspeitas no HSBC de Genebra – entre as quais, movimentações atribuídas a Cláudia Raia, Jô Soares, Márcio Fortes e outras figuras tão diversas, famosas e influentes quanto o baixinho. Os dois casos ocupam extremos opostos de um mesmo assunto: critérios de apuração jornalística e de publicação de dados de contas não declaradas por figuras públicas brasileiras em bancos estrangeiros. Continuar lendo

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Nacional

E se Lula for preso?

A prisão de José Dirceu desenha no horizonte a linha ainda indefinida do que poderia ser um audacioso avanço da Lava Jato sobre Lula. Politicamente, não se sabe se um baque como esse enterraria as pretensões eleitorais do ex-presidente para 2018 ou se, ao contrário, daria a Lula um enredo vitimizante como o que pôs Getúlio Vargas nos braços do “queremismo” em 1945.

Os espectadores latinos sempre amaram folhetins nos quais o herói emerge em santa vingança depois de ter passado metade da luta apanhando contra as cordas. A herança cristã não idolatra um Cristo que não tenha vivido seu calvário. A crucificação é parte indissociável do triunfo dos humildes e predestinados.

Dilma tem lá sua Via Crucis, com apenas 7% de aprovação, mas dela não se espera uma ressurreição redentora do Santo Sepulcro em que se transformou a Presidência. Um ocaso discreto seria melhor destino, aos olhos tanto de tucanos quanto de muitos petistas. Continuar lendo

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