Quase Humor

PT entulha propaganda na TV com chuva de numeralha

PTNa pior crise desde a sua fundação, o PT levou ao ar hoje uma peça publicitária de 10 minutos na qual 31% do tempo foi ocupado com a declamação de uma lista sequencial de 26 cifrões lidos por um narrador em off, em mantra monocórdio, enquanto na tela se sucediam mais de 20 slides apresentando números quebrados, como R$ 1,066 trilhões, e zeros depois da vírgula, como 4,0%. A sequência, que também misturou valores em dólares e em reais, ocupou ao todo 3 minutos e 6 segundos, o que equivale a quase um terço da propaganda inteira, numa média de 2,6 cifras declamadas por minuto. O bombardeiro numérico contradiz as regras mais elementares da comunicação em rádio e TV e contribuiu para aumentar a percepção de que a confusão domina o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, ameaçada por mais de 10 pedidos de impeachment analisados pelo Congresso.

Com a militância atordoada pela recente prisão do líder petista José Dirceu e com a popularidade da presidente batendo o recorde negativo de 8%, esperava-se da propaganda petista um toque de corneta capaz de reagrupar as tropas, tendo em vista especialmente as manifestações pela deposição de Dilma, marcadas para o dia 16. Em vez disso, o partido rifou 1/3 do tempo numa numeralha impossível de ser retida até mesmo pelo mais atento espectador petista.

GRAPHIC

O presidente do partido, Rui Falcão, abriu mão da gravata vermelha. Lula também, assim como o apresentador do programa, o ator global José de Abreu. Os três optaram pelo terno escuro e a camisa azul tucano.

Na tela, foram lançados números tão complexos quanto o de unidades de casas próprias construídas: 1.078.774, além das tradicionais siglas Pronatec, Fies e Prouni, para serem digeridas pelo espectador numa sequência frenética de segundos. Nenhuma ordem de grandeza foi usada para dar a dimensão da redução do desmatamento, de 19,4 mil km2 para 5,4 mil km2 – equivalência com piscinas, campos de futebol, tamanho de cidades, nada.

A excelência do material publicitário do PT foi uma marca desde os tempos de Duda Mendonça. Com João Santana, a qualidade das peças e o imperativo do marketing chegaram a rivalizar em importância estratégica com a determinação da própria linha política a ser adotada em muitos momentos. Mas a propaganda de hoje, em vez de afastar os temores, fez parecer que o desnorteamento do partido não está limitado apenas à seara política, mas contaminou definitivamente a comunicação.

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