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E se Lula for preso?

A prisão de José Dirceu desenha no horizonte a linha ainda indefinida do que poderia ser um audacioso avanço da Lava Jato sobre Lula. Politicamente, não se sabe se um baque como esse enterraria as pretensões eleitorais do ex-presidente para 2018 ou se, ao contrário, daria a Lula um enredo vitimizante como o que pôs Getúlio Vargas nos braços do “queremismo” em 1945.

Os espectadores latinos sempre amaram folhetins nos quais o herói emerge em santa vingança depois de ter passado metade da luta apanhando contra as cordas. A herança cristã não idolatra um Cristo que não tenha vivido seu calvário. A crucificação é parte indissociável do triunfo dos humildes e predestinados.

Dilma tem lá sua Via Crucis, com apenas 7% de aprovação, mas dela não se espera uma ressurreição redentora do Santo Sepulcro em que se transformou a Presidência. Um ocaso discreto seria melhor destino, aos olhos tanto de tucanos quanto de muitos petistas. Continuar lendo

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E se as empreiteiras da Lava Jato fossem condenadas a reformar presídios?

presidio2Para a torcida brasileira, a única saída digna da Lava Jato é pôr todo mundo em cana; se possível ontem, ainda na fase de inquérito. Afinal, essa coisa toda de presunção de inocência e trânsito em julgado só atrapalha o que pensam ser o final feliz para um novo Brasil. Mas e se em vez disso – ou além disso – os empreiteiros da Lava Jato, que tantas pontes, estradas, prédios e hospitais sabem fazer, superfaturados ou não, fossem condenados agora a ressarcir os cofres públicos reformando ou construindo novos presídios; alguns deles, veja você, frequentados por eles mesmos? E se houvesse algo mais didático nas condenações do caso do que a privação de liberdade das Pessoas Físicas? Continuar lendo

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Ninguém governa sem o PMDB

CunhaPensavam estar sobre uma ilhota no meio do oceano. Mas, ao pouco andar, o montico de terra tremia e urrava, se revelando o dorso de um gigantesco animal marinho submerso. Assim é o PMDB: na maior parte do tempo, deixa à mostra na superfície a quinta parte de seu porte, como uma ilha tediosa em paisagem inerte. Mas basta o governo cravar nele a haste de um guarda-sol para que a criatura contraia a musculatura, arqueando o corpanzil pré-diluviano. Conversei sobre essa besta pedregosa com Pedro Simon, nas eleições presidenciais de 2014. O então senador era um dos poucos endócrinos a ter penetrado nas entranhas do bicho. De lanterna na testa, viu o que todo mundo suspeita: ninguém governa sem o PMDB no Brasil. Continuar lendo

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7×1 completa um ano. (E os protestos?)

golUm ano atrás, o Brasil levava uma pedrada de 7×1 dos alemães no Mineirão e encerrava de maneira trágica sua participação na Copa. O vexame da Selecinha só não foi pior que o da política. A meninada que queimava concessionárias em junho saiu para um sabático na casa de praia ou entrou num intercâmbio no Canadá, deixando de herança, meio sem querer, a maior onda conservadora em 50 anos de história do Brasil. “Mal aê”. Passada a temporada dos maracatus de rua, os profissionais assumiram o bufê com maior garbo: fizeram a reforma política do avesso, implodiram o PT com o Lula dentro e deram a Dilma Rousseff o mais longo fim de governo da história republicana. Sobre tudo isso, nem um “piu”. O que importava mesmo era a Copa (que, no fim, até que foi bacaninha). Quem achou que o movimento era pra valer, dançou. A PM não se desmilitarizou. Ui, que surpresa. Continuar lendo

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Perguntei ao Kim quem ele pensa que é

Kim Brasil Livre

Foto: Felipe Paiva/R.U.A. Foto Coletivo

“O impeachment não é uma panaceia”, advertiu de maneira inesperada Kim Kataguiri numa conversa que tive com ele em São Paulo no mês de abril. O jovem de apenas 19 anos é um dos principais rostos da nova direita. À frente do MBL (Movimento Brasil Livre), Kim tem levado, junto com outros movimentos, milhares de manifestantes às ruas numa onda que roubou o monopólio exercido pela esquerda sobre as grandes mobilizações populares desde o fim da ditadura.

Politicamente, Kim é um liberal espontâneo e voluntarioso, quase ingênuo. Dado o desconto à pouca experiência, é forçoso reconhecer que se perfila como um nome promissor de sua geração. Está engajado em fazer política, coisa que o movimento estudantil abandonou faz tempo. Continuar lendo

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