Swissleaks

O que a Veja não viu no caso Romário

RomOs leitores que hoje se regozijam com o erro da revista Veja sobre as falsas contas bancárias atribuídas pela publicação da editora Abril ao senador Romário (PSB-RJ), na Suíça, onde haveria R$ 7,5 milhões não declarados pelo ex-atleta à Receita Federal, são em boa parte os mesmos que há 6 meses dedicavam o melhor do seu tempo a atacar a apuração cautelosa que o jornalista Fernando Rodrigues (UOL) fazia de um caso semelhante, o Swissleaks, que reunia mais de 8 mil contas bancárias brasileiras suspeitas no HSBC de Genebra – entre as quais, movimentações atribuídas a Cláudia Raia, Jô Soares, Márcio Fortes e outras figuras tão diversas, famosas e influentes quanto o baixinho. Os dois casos ocupam extremos opostos de um mesmo assunto: critérios de apuração jornalística e de publicação de dados de contas não declaradas por figuras públicas brasileiras em bancos estrangeiros. Continuar lendo

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Nacional

E se Lula for preso?

A prisão de José Dirceu desenha no horizonte a linha ainda indefinida do que poderia ser um audacioso avanço da Lava Jato sobre Lula. Politicamente, não se sabe se um baque como esse enterraria as pretensões eleitorais do ex-presidente para 2018 ou se, ao contrário, daria a Lula um enredo vitimizante como o que pôs Getúlio Vargas nos braços do “queremismo” em 1945.

Os espectadores latinos sempre amaram folhetins nos quais o herói emerge em santa vingança depois de ter passado metade da luta apanhando contra as cordas. A herança cristã não idolatra um Cristo que não tenha vivido seu calvário. A crucificação é parte indissociável do triunfo dos humildes e predestinados.

Dilma tem lá sua Via Crucis, com apenas 7% de aprovação, mas dela não se espera uma ressurreição redentora do Santo Sepulcro em que se transformou a Presidência. Um ocaso discreto seria melhor destino, aos olhos tanto de tucanos quanto de muitos petistas. Continuar lendo

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Nacional

E se as empreiteiras da Lava Jato fossem condenadas a reformar presídios?

presidio2Para a torcida brasileira, a única saída digna da Lava Jato é pôr todo mundo em cana; se possível ontem, ainda na fase de inquérito. Afinal, essa coisa toda de presunção de inocência e trânsito em julgado só atrapalha o que pensam ser o final feliz para um novo Brasil. Mas e se em vez disso – ou além disso – os empreiteiros da Lava Jato, que tantas pontes, estradas, prédios e hospitais sabem fazer, superfaturados ou não, fossem condenados agora a ressarcir os cofres públicos reformando ou construindo novos presídios; alguns deles, veja você, frequentados por eles mesmos? E se houvesse algo mais didático nas condenações do caso do que a privação de liberdade das Pessoas Físicas? Continuar lendo

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Quase Humor

Sacando corruptos num voo para Brasília

Corrupto1Entre Lava Jato e Zelotes, há uns R$ 20 bilhões em grana corrupta voando pelo Brasil. Parte dela foi carregada em espécie por senhores de terno como os que estavam ao meu lado no JJ 3700 no mês de março.

Quando você vai a Brasília, a desconfiança recai sobre um tipo de malandro diferente do preto-pobre que tanto fascina a polícia.

Ainda no táxi, a caminho de Congonhas, li na Folha que mulas foram vistas voando pelos céus do Brasil carregando consigo maços de dinheiro embalados em plástico zap. Mulas são pessoas pagas por traficantes para levar drogas de um país a outro, dentro do próprio estômago, separada em pequenas cápsulas. No caso das mulas empresárias, o dinheiro da corrupção aparecia amarrado a pernas peludas e a dorsos masculinos providos de tetas, fazendo a ponte aérea da corrupção. Continuar lendo

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Diplomacia

“Cuba se abre, mas não vira capitalista”

BettoFidel Castro, aos 88 anos, viu passar oito presidentes dos EUA, sendo que quatro deles ele enterrou; e mais de 20 diretores da CIA, sendo que todos eles tiveram o projeto de assassiná-lo”, me disse Frei Betto em entrevista que fiz com ele em dezembro, sobre o reatamento entre Washington e Havana, que reabriram hoje suas embaixadas num gesto mútuo de reconciliação depois de mais de 50 anos de gelo. Continuar lendo

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Nacional

Ninguém governa sem o PMDB

CunhaPensavam estar sobre uma ilhota no meio do oceano. Mas, ao pouco andar, o montico de terra tremia e urrava, se revelando o dorso de um gigantesco animal marinho submerso. Assim é o PMDB: na maior parte do tempo, deixa à mostra na superfície a quinta parte de seu porte, como uma ilha tediosa em paisagem inerte. Mas basta o governo cravar nele a haste de um guarda-sol para que a criatura contraia a musculatura, arqueando o corpanzil pré-diluviano. Conversei sobre essa besta pedregosa com Pedro Simon, nas eleições presidenciais de 2014. O então senador era um dos poucos endócrinos a ter penetrado nas entranhas do bicho. De lanterna na testa, viu o que todo mundo suspeita: ninguém governa sem o PMDB no Brasil. Continuar lendo

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Nacional

7×1 completa um ano. (E os protestos?)

golUm ano atrás, o Brasil levava uma pedrada de 7×1 dos alemães no Mineirão e encerrava de maneira trágica sua participação na Copa. O vexame da Selecinha só não foi pior que o da política. A meninada que queimava concessionárias em junho saiu para um sabático na casa de praia ou entrou num intercâmbio no Canadá, deixando de herança, meio sem querer, a maior onda conservadora em 50 anos de história do Brasil. “Mal aê”. Passada a temporada dos maracatus de rua, os profissionais assumiram o bufê com maior garbo: fizeram a reforma política do avesso, implodiram o PT com o Lula dentro e deram a Dilma Rousseff o mais longo fim de governo da história republicana. Sobre tudo isso, nem um “piu”. O que importava mesmo era a Copa (que, no fim, até que foi bacaninha). Quem achou que o movimento era pra valer, dançou. A PM não se desmilitarizou. Ui, que surpresa. Continuar lendo

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