Protestos

Mataram dois manifestantes a tiros

peladoAconteceu. Dois jovens foram baleados enquanto protestavam na rua. Os estudantes Exequiel Borvarán, de 18 anos, e Diego Guzmán, de 24, foram assassinados na quinta-feira, enquanto participaram de uma marcha pela educação na cidade chilena de Valparaíso. O crime manda um recado para todos os países latino-americanos nos quais o acirramento político tem descambado para a violência, como é o caso do Brasil.

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Diplomacia

Lula, o eterno chanceler

blog14AO ex-presidente Lula recebeu ontem uma visita importante, mas você provavelmente não ficou sabendo de nada – embora saiba que o chinês Li salvou um bebê de 2 anos que caiu da janela de um edifício em Xiaolan.

Carlos Mesa, ex-presidente da Bolívia e atual porta-voz da demanda boliviana por uma saída ao mar na Corte de Haia, encontrou-se com o petista para explicar suas razões. Há anos, Chile e Bolívia disputam uma nesga de território. Anexada pelo Chile no século 19, a pontinha do norte do Chile – antes, Bolívia – é objeto de uma das maiores discórdias territoriais da América Latina. Continuar lendo

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Diplomacia

Lavrov faz Itamaraty adernar

blog4A.jpgAcaba de passar entre as pernas da diplomacia brasileira um petardo e tanto, capaz de revelar num só ato a irrelevância a que chegou o Itamaraty no governo Dilma Rousseff.

Sergei Lavrov, chanceler da Rússia e braço direito do presidente Vladmir Putin, concluiu esta semana um giro por Cuba, Nicarágua, Peru e Chile. A viagem foi a maior demonstração de desembaraço e força da diplomacia russa em quintal norte-americano, desde que Washington e Berlim anunciaram um pacote de medidas destinadas a isolar o Kremlim. Com algum exagero, é como se, no auge da crise que opõe EUA e Rússia, Obama desse um passeio por Geórgia, Transnistría e Moldávia na semana em que Moscou anunciasse o congelamento de ativos de empresários gringos e assessores da Casa Branca. No carnaval e na diplomacia, os gestos contam – foi como se Lavrov desfilasse faceiro com amigos num carro alegórico acenando alegremente para um Ocidente que tenta empurrá-lo cada dia mais para o isolamento. Continuar lendo

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Diplomacia

Conheça o novo chanceler do Chile

blog11AMichelle Bachelet tomou posse há menos de uma semana no Chile e prepara vinda ao Brasil até abril. Está de volta para um segundo mandato – o primeiro foi de 2006 a 2010. Com ela, regressa uma espécie de socialismo de centro, socialismo possível, no único país latino-americano onde estas divisões mantêm seu sentido original.
Na cerimônia de posse, a direita do ex-presidente Sebastián Piñera passou o cetro com o gosto amargo de um mandato que começou com um terremoto e terminou nas ruínas de uma taxa de rejeição histórica – rondando muitas vezes os 80%. Quando entrevistei Bachelet para o jornal O Estado de S. Paulo, em julho de 2009, ela já profetizava, num tom suave e astuto: “Para mim, quatro anos (de mandato) é pouco”. Cá está, de volta, numa região que – fora a morte de Hugo Chávez – pouco mudou em quatro anos.

Uma das figuras fortes do novo governo será o chanceler Heraldo Muñoz. A Folha de S. Paulo trouxe em sua edição de 12 de março um breve perfil que escrevi sobre o novo ministro, a partir de uma longa entrevista feita por email, enquanto ele ainda preparava as malas para voltar de Washington, onde trabalhava havia anos na ONU, para Santiago, onde assume o cargo agora, com o novo governo.  Continuar lendo

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Quase Humor

‘O que ela tem que eu não tenho?’

blog12A‘O que que ela tem que eu não tenho?’, deve ter se perguntado a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, hoje, na cerimônia de posse da colega chilena Michelle Bachelet, em Valparaiso. Bachelet terminou seu primeiro mandato com um nível de aprovação igual ao de Lula, coisa com a qual Dilma não ousa sonhar. Enquanto a médica chilena é uma tiazona carinhosa e acolhedora, Dilma desfila durante 24 horas com a delicadeza de uma motorista de empilhadeira com o câmbio travado na primeira marcha.

Olhando para trás, Bachelet tinha tudo e mais um pouco para amarrar a cara como Dilma. Se a brasileira foi torturada, a chilena também foi – mais do que isso, Bachelet foi torturada junto da mãe na Villa Grimaldi, um dos campos de tortura e morte mais horrorosos de que se tem notícia no mundo. Além disso, perdeu o pai, morto pela ditadura do general Augusto Pinochet. No campeonato do rancor, a chilena levaria larga vantagem. A diferença entre as duas não está no passado, mas no futuro. Continuar lendo

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Diplomacia

O poder da discrição

blog15ANão parece, mas o Chile é uma ilha. Espremido entre a Cordilheira e o Pacífico, o país desenvolveu uma personalidade insular e introspectiva, reforçada pelo traço sombrio de uma ditadura que durou 17 anos. Tensionado até hoje por disputas limítrofes ao norte, com o Peru e a Bolívia, e, até 1978, ao sul, com a Argentina, o país foi desenvolvendo uma ideia acanhada de suas relações internacionais. Essa tendência deu à chancelaria chilena uma gradação a mais no quesito “discrição”.

Quis o destino que coubesse justamente esta ilha cravada no continente desatar o nó cego em que se meteu a Venezuela. Depois de tomar posse, amanhã, para seu segundo mandato, o governo de Michelle Bachelet receberá em Santiago os chanceleres dos Estados membros da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) para tentar achar uma saída para o imbróglio enfrentado pelo governo de Nicolás Maduro, depois de mais de 20 mortes e uma forte onda de protestos que mantém o futuro da Venezuela mais uma vez sob tenso suspense.

A novela também coloca em lados diferentes – embora não necessariamente antagônicos em suas relações pessoais – duas figuras fortes da política internacional chilena. O primeiro é o secretário geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza. O segundo é o novo chanceler do Chile, Heraldo Muñoz, anfitrião do encontro da Unasul. Não poderia haver duas figuras em momentos tão desencontrados. Continuar lendo

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Onde o protesto vai dar

blog22ASe o Brasil quer saber aonde vai dar o acirramento da divisão estabelecida de maneira mais aguda desde junho, entre esquerda e direita, coxinhas e ninjas, manifestantes e acomodados, Lulas e tucanos, deve olhar para o Chile – único país da região onde essas diferenças se apresentam fossilizadas desde o governo Allende (1970-1973), sem atenuantes.

A fase crônica de protestos que os brasileiros experimentam há três meses, já dura quase três anos em Santiago. Marchas multitudinárias, choques com polícia, prisões em massa, agressões a jornalistas, destruição de bens públicos, debate sobre o uso de lacrimogêneo e balas de borracha, redução de taxas públicas e mais uma batelada de temas semelhantes estão não apenas nas ruas, mas nas pichações visíveis em todos os muros do Centro da capital, nos noticiários da noite e, como não poderia deixar de ser, nas redes sociais. A agenda dos protestos se tornou onipresente.

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