Quase Humor

PT entulha propaganda na TV com chuva de numeralha

PTNa pior crise desde a sua fundação, o PT levou ao ar hoje uma peça publicitária de 10 minutos na qual 31% do tempo foi ocupado com a declamação de uma lista sequencial de 26 cifrões lidos por um narrador em off, em mantra monocórdio, enquanto na tela se sucediam mais de 20 slides apresentando números quebrados, como R$ 1,066 trilhões, e zeros depois da vírgula, como 4,0%. A sequência, que também misturou valores em dólares e em reais, ocupou ao todo 3 minutos e 6 segundos, o que equivale a quase um terço da propaganda inteira, numa média de 2,6 cifras declamadas por minuto. O bombardeiro numérico contradiz as regras mais elementares da comunicação em rádio e TV e contribuiu para aumentar a percepção de que a confusão domina o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, ameaçada por mais de 10 pedidos de impeachment analisados pelo Congresso. Continuar lendo

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Swissleaks

O que a Veja não viu no caso Romário

RomOs leitores que hoje se regozijam com o erro da revista Veja sobre as falsas contas bancárias atribuídas pela publicação da editora Abril ao senador Romário (PSB-RJ), na Suíça, onde haveria R$ 7,5 milhões não declarados pelo ex-atleta à Receita Federal, são em boa parte os mesmos que há 6 meses dedicavam o melhor do seu tempo a atacar a apuração cautelosa que o jornalista Fernando Rodrigues (UOL) fazia de um caso semelhante, o Swissleaks, que reunia mais de 8 mil contas bancárias brasileiras suspeitas no HSBC de Genebra – entre as quais, movimentações atribuídas a Cláudia Raia, Jô Soares, Márcio Fortes e outras figuras tão diversas, famosas e influentes quanto o baixinho. Os dois casos ocupam extremos opostos de um mesmo assunto: critérios de apuração jornalística e de publicação de dados de contas não declaradas por figuras públicas brasileiras em bancos estrangeiros. Continuar lendo

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Nacional

E se as empreiteiras da Lava Jato fossem condenadas a reformar presídios?

presidio2Para a torcida brasileira, a única saída digna da Lava Jato é pôr todo mundo em cana; se possível ontem, ainda na fase de inquérito. Afinal, essa coisa toda de presunção de inocência e trânsito em julgado só atrapalha o que pensam ser o final feliz para um novo Brasil. Mas e se em vez disso – ou além disso – os empreiteiros da Lava Jato, que tantas pontes, estradas, prédios e hospitais sabem fazer, superfaturados ou não, fossem condenados agora a ressarcir os cofres públicos reformando ou construindo novos presídios; alguns deles, veja você, frequentados por eles mesmos? E se houvesse algo mais didático nas condenações do caso do que a privação de liberdade das Pessoas Físicas? Continuar lendo

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Nacional

7×1 completa um ano. (E os protestos?)

golUm ano atrás, o Brasil levava uma pedrada de 7×1 dos alemães no Mineirão e encerrava de maneira trágica sua participação na Copa. O vexame da Selecinha só não foi pior que o da política. A meninada que queimava concessionárias em junho saiu para um sabático na casa de praia ou entrou num intercâmbio no Canadá, deixando de herança, meio sem querer, a maior onda conservadora em 50 anos de história do Brasil. “Mal aê”. Passada a temporada dos maracatus de rua, os profissionais assumiram o bufê com maior garbo: fizeram a reforma política do avesso, implodiram o PT com o Lula dentro e deram a Dilma Rousseff o mais longo fim de governo da história republicana. Sobre tudo isso, nem um “piu”. O que importava mesmo era a Copa (que, no fim, até que foi bacaninha). Quem achou que o movimento era pra valer, dançou. A PM não se desmilitarizou. Ui, que surpresa. Continuar lendo

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O que diz o direito

Dois atropelos podem destruir a Lava Jato

odebrechtGanha corpo entre os entendidos o temor de que a Lava Jato morra antes de virar borboleta. No afã de fazer justiça, o juiz Sérgio Moro estaria contaminando as investigações com uma dose excessiva de voluntarismo, ansiedade e arrogância, capaz de anular o caso. Não seria a primeira vez que uma investigação de enorme repercussão midiática dá em nada no Brasil.

Ao noticiar as prisões do dono da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, realizadas ontem, em São Paulo, os jornais revelam sem querer o exato nódulo da coisa toda. A Folha de S. Paulo titula no alto da A5: “Juiz acusa empresas de praticar crimes para obter negócios“. Juiz não acusa. Juiz julga. Quem acusa é o Ministério Público. Continuar lendo

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Economia

BNDES, índios e Tony Ramos

TonyO BNDES despejou na Friboi R$ 8,3 bilhões em compra de ações e R$ 2 bilhões em empréstimos diretos. O banco é dono de quase 30% daquele açougue anunciado pelo Tony Ramos na TV. Pergunta de auditório para os fãs do galã: qual foi a maior empresa em doações financeiras para campanhas políticas no Brasil em 2014? Ganha um pirulito de picanha quem chutar a Friboi, com R$ 366,8 milhões.

O BNDES é um dos maiores bancos do mundo – seus investimentos chegam a quase 20% do PIB brasileiro. O banco responde sozinho por 75% de todo o crédito de longo prazo para empresas e 20% de todos os investimentos realizados no país nos últimos anos. É uma máquina gigantesca de emprestar dinheiro público a juros amigos. Continuar lendo

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