Quase Humor

Acuado, Cunha apela à Porcíuncula

Acuado pela denúncia de envolvimento num escândalo milionário de pagamento de propina para favorecimento de empreiteiras no caso Lava Jato, ameaçado de deposição do cargo, acuado pelas lideranças do próprio partido e na iminência de ter seu caso avaliado pela mais alta corte do País, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dedicou a manhã de hoje a homenagear Porciúncula.

Captura de Tela 2015-08-21 às 12.11.44

O nome da cidade de apenas 18 mil habitantes é sinônimo de “porção minúscula”, de acordo com o Houaiss. A lembrança do pequeno município fluminense nas redes sociais do deputado é adornada por uma sequência de posts ao longo dos dias nos quais Cunha deseja “benção em abundância” aos internautas, acompanhada de fotos de horizontes montanhosos, nuvens e outros ícones da auto-ajuda.

No post em homenagem a Porcíuncula, Cunha crava o hashtag “o povo merece respeito”.

Anúncios
Padrão
Nacional

E se Lula for preso?

A prisão de José Dirceu desenha no horizonte a linha ainda indefinida do que poderia ser um audacioso avanço da Lava Jato sobre Lula. Politicamente, não se sabe se um baque como esse enterraria as pretensões eleitorais do ex-presidente para 2018 ou se, ao contrário, daria a Lula um enredo vitimizante como o que pôs Getúlio Vargas nos braços do “queremismo” em 1945.

Os espectadores latinos sempre amaram folhetins nos quais o herói emerge em santa vingança depois de ter passado metade da luta apanhando contra as cordas. A herança cristã não idolatra um Cristo que não tenha vivido seu calvário. A crucificação é parte indissociável do triunfo dos humildes e predestinados.

Dilma tem lá sua Via Crucis, com apenas 7% de aprovação, mas dela não se espera uma ressurreição redentora do Santo Sepulcro em que se transformou a Presidência. Um ocaso discreto seria melhor destino, aos olhos tanto de tucanos quanto de muitos petistas. Continuar lendo

Padrão
Nacional

E se as empreiteiras da Lava Jato fossem condenadas a reformar presídios?

presidio2Para a torcida brasileira, a única saída digna da Lava Jato é pôr todo mundo em cana; se possível ontem, ainda na fase de inquérito. Afinal, essa coisa toda de presunção de inocência e trânsito em julgado só atrapalha o que pensam ser o final feliz para um novo Brasil. Mas e se em vez disso – ou além disso – os empreiteiros da Lava Jato, que tantas pontes, estradas, prédios e hospitais sabem fazer, superfaturados ou não, fossem condenados agora a ressarcir os cofres públicos reformando ou construindo novos presídios; alguns deles, veja você, frequentados por eles mesmos? E se houvesse algo mais didático nas condenações do caso do que a privação de liberdade das Pessoas Físicas? Continuar lendo

Padrão
Quase Humor

Sacando corruptos num voo para Brasília

Corrupto1Entre Lava Jato e Zelotes, há uns R$ 20 bilhões em grana corrupta voando pelo Brasil. Parte dela foi carregada em espécie por senhores de terno como os que estavam ao meu lado no JJ 3700 no mês de março.

Quando você vai a Brasília, a desconfiança recai sobre um tipo de malandro diferente do preto-pobre que tanto fascina a polícia.

Ainda no táxi, a caminho de Congonhas, li na Folha que mulas foram vistas voando pelos céus do Brasil carregando consigo maços de dinheiro embalados em plástico zap. Mulas são pessoas pagas por traficantes para levar drogas de um país a outro, dentro do próprio estômago, separada em pequenas cápsulas. No caso das mulas empresárias, o dinheiro da corrupção aparecia amarrado a pernas peludas e a dorsos masculinos providos de tetas, fazendo a ponte aérea da corrupção. Continuar lendo

Padrão
O que diz o direito

Dois atropelos podem destruir a Lava Jato

odebrechtGanha corpo entre os entendidos o temor de que a Lava Jato morra antes de virar borboleta. No afã de fazer justiça, o juiz Sérgio Moro estaria contaminando as investigações com uma dose excessiva de voluntarismo, ansiedade e arrogância, capaz de anular o caso. Não seria a primeira vez que uma investigação de enorme repercussão midiática dá em nada no Brasil.

Ao noticiar as prisões do dono da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, realizadas ontem, em São Paulo, os jornais revelam sem querer o exato nódulo da coisa toda. A Folha de S. Paulo titula no alto da A5: “Juiz acusa empresas de praticar crimes para obter negócios“. Juiz não acusa. Juiz julga. Quem acusa é o Ministério Público. Continuar lendo

Padrão
Economia

BNDES, índios e Tony Ramos

TonyO BNDES despejou na Friboi R$ 8,3 bilhões em compra de ações e R$ 2 bilhões em empréstimos diretos. O banco é dono de quase 30% daquele açougue anunciado pelo Tony Ramos na TV. Pergunta de auditório para os fãs do galã: qual foi a maior empresa em doações financeiras para campanhas políticas no Brasil em 2014? Ganha um pirulito de picanha quem chutar a Friboi, com R$ 366,8 milhões.

O BNDES é um dos maiores bancos do mundo – seus investimentos chegam a quase 20% do PIB brasileiro. O banco responde sozinho por 75% de todo o crédito de longo prazo para empresas e 20% de todos os investimentos realizados no país nos últimos anos. É uma máquina gigantesca de emprestar dinheiro público a juros amigos. Continuar lendo

Padrão
Lava Jato

Os milionários são uns pobres coitados

A Lava Jato estraçalhou meia dúzia de ricaços indecentes dando alguma sensação de justiça bem antes do fim do processo legal. No país em que rico não se ferra, pareceu, com as prisões preventivas decretadas pelo juiz Sérgio Moro, que tudo mudou – a grãfinalha desceu ao habitat dos moreninhos de havaiana. Frisson na corte. Mas o ímpeto justiceiro tem seu preço. Advogados de renome dizem que Moro viola princípios caros ao Direito. Quando a poeira baixar e a polícia voltar a bater na clientela de costume, fará falta a presunção de inocência, entre outros nomes compostos pelos quais o povo pobre nunca pode pagar.

Que as vítimas desse atropelo sejam ricos, torna ingrata a tarefa. Mas é preciso defender o que há de justo na Justiça, mesmo quando o pobre coitado não é pobre. Em outras palavras, rico é gente, ainda que soe indecente. Continuar lendo

Padrão