Diplomacia

O poder da discrição

blog15ANão parece, mas o Chile é uma ilha. Espremido entre a Cordilheira e o Pacífico, o país desenvolveu uma personalidade insular e introspectiva, reforçada pelo traço sombrio de uma ditadura que durou 17 anos. Tensionado até hoje por disputas limítrofes ao norte, com o Peru e a Bolívia, e, até 1978, ao sul, com a Argentina, o país foi desenvolvendo uma ideia acanhada de suas relações internacionais. Essa tendência deu à chancelaria chilena uma gradação a mais no quesito “discrição”.

Quis o destino que coubesse justamente esta ilha cravada no continente desatar o nó cego em que se meteu a Venezuela. Depois de tomar posse, amanhã, para seu segundo mandato, o governo de Michelle Bachelet receberá em Santiago os chanceleres dos Estados membros da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) para tentar achar uma saída para o imbróglio enfrentado pelo governo de Nicolás Maduro, depois de mais de 20 mortes e uma forte onda de protestos que mantém o futuro da Venezuela mais uma vez sob tenso suspense.

A novela também coloca em lados diferentes – embora não necessariamente antagônicos em suas relações pessoais – duas figuras fortes da política internacional chilena. O primeiro é o secretário geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza. O segundo é o novo chanceler do Chile, Heraldo Muñoz, anfitrião do encontro da Unasul. Não poderia haver duas figuras em momentos tão desencontrados. Continuar lendo

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Diplomacia

Venezuela reforça duelo OEA x Unasul

blog16AA Venezuela não quer nem saber da OEA (Organização dos Estados Americanos). Se tiver de discutir regionalmente seus problemas, o governo de Nicolás Maduro disse que prefere a Unasul (União das Nações Sul-Americanas). São dois clubes diferentes para discutir as mais de 20 mortes ocorridas nos protestos dos últimos dias em Caracas e alhures. No primeiro clube, usam terno, no segundo guayabera. Maduro considera que, nos corredores OEA, se fuma Marlboro, na Unasul, puros de Habana.

O clima de Fla-Flu entre Unasul e OEA vem desde 2008. Na época, o bolivarianismo vivia seus anos de ouro, puxados por Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e Nestor Kirchner (Argentina). Lula (Brasil), corria então por fora, fazendo as vezes de “primeiro volante”. O time foi responsável por deslocar o eixo regional de Washington, sede da OEA, para Quito, que receberia a recém-nascida Unasul. A guinada se valeu do ressentimento com o papel devastador que os EUA exerceram em toda a América Latina durante os golpes militares dos anos 60-70 e da conjuntura de forças, que então permitia a retórica inflamada e a diplomacia presidencial, ou diplomacia do microfone. Continuar lendo

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