Diplomacia

Catimbeiro, Aécio cava falta em Caracas

aecinhoEnquanto Aécio Neves (PSDB) e a comitiva brasileira que viajou ontem à Venezuela não apresentarem alguma evidência de agressão sofrida no trajeto entre o aeroporto e a capital, Caracas, permanecerá a sensação de que o grupo viajou 6 mil quilômetros para cavar uma falta na pequena área. As imagens disponíveis até agora mostram o micro-ônibus com parlamentares brasileiros cercado por manifestantes pró-governo. Só. Durante todo o tempo, o veículo aparece resguardado por uma escolta das forças de segurança venezuelanas. De resto, é a zorra de praxe naquelas bandas.

Se cidadãos venezuelanos não podem sair às ruas do próprio país para expressar seja qual for sua opinião a respeito do próprio governo, que democracia foram defender os políticos brasileiros no quintal do vizinho? Seria como se deputados venezuelanos viessem ao Brasil criticar o povo que bate panela. Continuar lendo

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Rejeição a Patriota esconde história feia

Guilherme-PatriotaO embaixador Guilherme Patriota tomou bomba no Senado. Indicado por Dilma para representar o Brasil na OEA, foi rejeitado por um voto de diferença – 38 senadores barraram a indicação, abrindo as comportas das análises manjadas sobre o desgaste da presidente no Congresso. Pode ter sido a primeira vez que isso acontece na história do Brasil, mas tirando o fato de que rende bons títulos, a questão é mais de forma do que de fundo. Dilma sacaneou a OEA por muito tempo. Durante quatro anos, deixou o Brasil sem representante nenhum na organização, até acordar e tentar emplacar ontem seu embaixador. Nesse período, o País acumulou uma dívida com o órgão de mais de R$ 20 milhões – o que equivale a quase 10% do orçamento total da OEA. Golpe baixo. Continuar lendo

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Conheça o novo chanceler do Chile

blog11AMichelle Bachelet tomou posse há menos de uma semana no Chile e prepara vinda ao Brasil até abril. Está de volta para um segundo mandato – o primeiro foi de 2006 a 2010. Com ela, regressa uma espécie de socialismo de centro, socialismo possível, no único país latino-americano onde estas divisões mantêm seu sentido original.
Na cerimônia de posse, a direita do ex-presidente Sebastián Piñera passou o cetro com o gosto amargo de um mandato que começou com um terremoto e terminou nas ruínas de uma taxa de rejeição histórica – rondando muitas vezes os 80%. Quando entrevistei Bachelet para o jornal O Estado de S. Paulo, em julho de 2009, ela já profetizava, num tom suave e astuto: “Para mim, quatro anos (de mandato) é pouco”. Cá está, de volta, numa região que – fora a morte de Hugo Chávez – pouco mudou em quatro anos.

Uma das figuras fortes do novo governo será o chanceler Heraldo Muñoz. A Folha de S. Paulo trouxe em sua edição de 12 de março um breve perfil que escrevi sobre o novo ministro, a partir de uma longa entrevista feita por email, enquanto ele ainda preparava as malas para voltar de Washington, onde trabalhava havia anos na ONU, para Santiago, onde assume o cargo agora, com o novo governo.  Continuar lendo

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O poder da discrição

blog15ANão parece, mas o Chile é uma ilha. Espremido entre a Cordilheira e o Pacífico, o país desenvolveu uma personalidade insular e introspectiva, reforçada pelo traço sombrio de uma ditadura que durou 17 anos. Tensionado até hoje por disputas limítrofes ao norte, com o Peru e a Bolívia, e, até 1978, ao sul, com a Argentina, o país foi desenvolvendo uma ideia acanhada de suas relações internacionais. Essa tendência deu à chancelaria chilena uma gradação a mais no quesito “discrição”.

Quis o destino que coubesse justamente esta ilha cravada no continente desatar o nó cego em que se meteu a Venezuela. Depois de tomar posse, amanhã, para seu segundo mandato, o governo de Michelle Bachelet receberá em Santiago os chanceleres dos Estados membros da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) para tentar achar uma saída para o imbróglio enfrentado pelo governo de Nicolás Maduro, depois de mais de 20 mortes e uma forte onda de protestos que mantém o futuro da Venezuela mais uma vez sob tenso suspense.

A novela também coloca em lados diferentes – embora não necessariamente antagônicos em suas relações pessoais – duas figuras fortes da política internacional chilena. O primeiro é o secretário geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza. O segundo é o novo chanceler do Chile, Heraldo Muñoz, anfitrião do encontro da Unasul. Não poderia haver duas figuras em momentos tão desencontrados. Continuar lendo

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Venezuela reforça duelo OEA x Unasul

blog16AA Venezuela não quer nem saber da OEA (Organização dos Estados Americanos). Se tiver de discutir regionalmente seus problemas, o governo de Nicolás Maduro disse que prefere a Unasul (União das Nações Sul-Americanas). São dois clubes diferentes para discutir as mais de 20 mortes ocorridas nos protestos dos últimos dias em Caracas e alhures. No primeiro clube, usam terno, no segundo guayabera. Maduro considera que, nos corredores OEA, se fuma Marlboro, na Unasul, puros de Habana.

O clima de Fla-Flu entre Unasul e OEA vem desde 2008. Na época, o bolivarianismo vivia seus anos de ouro, puxados por Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador), Evo Morales (Bolívia) e Nestor Kirchner (Argentina). Lula (Brasil), corria então por fora, fazendo as vezes de “primeiro volante”. O time foi responsável por deslocar o eixo regional de Washington, sede da OEA, para Quito, que receberia a recém-nascida Unasul. A guinada se valeu do ressentimento com o papel devastador que os EUA exerceram em toda a América Latina durante os golpes militares dos anos 60-70 e da conjuntura de forças, que então permitia a retórica inflamada e a diplomacia presidencial, ou diplomacia do microfone. Continuar lendo

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