Diplomacia

Lavrov faz Itamaraty adernar

blog4A.jpgAcaba de passar entre as pernas da diplomacia brasileira um petardo e tanto, capaz de revelar num só ato a irrelevância a que chegou o Itamaraty no governo Dilma Rousseff.

Sergei Lavrov, chanceler da Rússia e braço direito do presidente Vladmir Putin, concluiu esta semana um giro por Cuba, Nicarágua, Peru e Chile. A viagem foi a maior demonstração de desembaraço e força da diplomacia russa em quintal norte-americano, desde que Washington e Berlim anunciaram um pacote de medidas destinadas a isolar o Kremlim. Com algum exagero, é como se, no auge da crise que opõe EUA e Rússia, Obama desse um passeio por Geórgia, Transnistría e Moldávia na semana em que Moscou anunciasse o congelamento de ativos de empresários gringos e assessores da Casa Branca. No carnaval e na diplomacia, os gestos contam – foi como se Lavrov desfilasse faceiro com amigos num carro alegórico acenando alegremente para um Ocidente que tenta empurrá-lo cada dia mais para o isolamento. Continuar lendo

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Diplomacia

Crimeia. Capital: Malvinas

blog17O mundo é uma bola com 191 países, sem contar Taiwan e o Vaticano. Pouco do que aconteça onde o sol se põe, já não aconteceu antes, onde o sol nasceu. É o caso da Crimeia, onde a população, de maioria russa, pretende fazer um referendo dentro de nove dias para decidir se a península se separa da Ucrânia e volta a fazer parte da Rússia, remontando, em parte, o mapa anterior a 1954. Como, de cada 10 moradores da península, 6 são russos, a vitória é batata.

Guardadas as diferenças, a lógica crimelense repete o que acontece com os moradores das Ilhas Malvinas ou Falklands, no Atlântico Sul. Não há meio de convencer os moradores a pertencerem a Argentina. Em março do ano passado, 98,8% dos 1.672 eleitores locais disseram “sim” ao domínio britânico, num referendo que confirmou o que Londres já havia dito de forma mais clara com força militar em 1982. O conflito não apenas confirmou a hegemonia britânica no local, mas também antecipou o fim da ditadura na Argentina. Para todos os efeitos, as ilhas distam pouco mais de 400 km de Buenos Aires, mas fazem parte da Grã-Bretanha, a quase 20 horas de voo dali. Continuar lendo

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